Moblix reformula seu negócio em meio ao colapso no setor de turismo

Por Cintia Salomão

Imagine uma startup voltada à venda de passagens aéreas, criada poucas semanas antes de março de 2020, no início de uma tragédia sanitária que implodiria o setor do turismo no mundo. Esse foi o desafio da Moblix: vir ao mundo em um momento em que o setor praticamente entrou em colapso no rastro da pandemia e das medidas de isolamento em todo o mundo.

– A Covid-19 nos jogou um balde de água fria. Quase encerramos nossas operações na época. Tínhamos poucos clientes e quase todos cancelaram a assinatura do nosso sistema. Mas, junto com o desafio, veio a oportunidade de mudar a estratégia do negócio, e mostramos nossos serviços de um modo que realmente não esperávamos – diz à Case o CEO da Moblix, Gustavo Souza, geógrafo pela Universidade de Brasília e especialista em Gestão de Pessoas.

Foi então que a Moblix transformou o seu modelo de negócio.

A plataforma virtual, criada nos moldes do e-commerce, era inicialmente focada na venda de passagens aéreas, justamente o setor mais atingido pela pandemia. A empresa decidiu, então, modificar o foco e passar a atender todos os tipos de serviço turístico que vendessem experiência.

“O mercado de turismo brasileiro é, por si só, tradicional, dominado por poucas empresas. Não havia plataforma de e-commerce para o turismo. Se o empresário quisesse vender pela internet, precisava desenvolver uma ferramenta própria”

Gustavo Souza, CEO da Moblix

Ao mesmo tempo, a Moblix participava de projetos de aceleração de startups, como o Ciclo de Aceleração InovAtiva Brasil 2020, do qual foi finalista. Em seguida, aceitaram o desafio do Catalisa Corp do Sebrae, em que se saíram como grandes vencedores, concorrendo com mais de 40 empresas de turismo.

Setor carecia de inovação tecnológica

A reconhecida inovação da Moblix consiste em levar para o setor de turismo conceitos comuns já presentes em outros setores do varejo, colocados em prática nas plataformas de e-commerce. O objetivo da inovação é auxiliar as pequenas e médias empresas – e mesmo as grandes empresas – a impulsionar suas vendas online. Isso tudo em um mercado bastante conservador.

– O mercado de turismo brasileiro é, por si só, tradicional, dominado por poucas empresas. Um levantamento feito pela FGV mostrou que o setor de turismo foi o que mais se digitalizou na pandemia. Eu faço a leitura de que era o setor menos digitalizado e, por isso mesmo, se digitalizou, justamente por ser tão tradicional – analisa o CEO da startup.

O pequeno ou o médio empresário do turismo que deseja vender na internet enfrenta dificuldades para encontrar ferramentas adequadas.

– Não havia plataforma de e-commerce para o turismo. Se o empresário quisesse vender pela internet, precisava desenvolver uma ferramenta própria. É isso que oferecemos. Uma plataforma B2B de alta tecnologia de e-commerce a baixo custo e acessível, para que qualquer produtor de serviços turísticos possa usar – resume.

Os clientes da plataforma vão desde pousadas a emissores de passagens aéreas, passando por serviços de traslados e incluindo o “trenzinho que circula de hora em hora com 20 pessoas em Gramado”. Ou seja, qualquer prestador de serviço de turismo. A assinatura, acessível, começa com o valor de 200 reais e atinge um máximo de 600. A assinatura mais completa permite a integração em grandes sistemas de turismo, como a consolidadora CVC.

A ferramenta permite cadastrar, reservar e vender serviços, além de possibilitar o controle de estoque e inventário. Todo o processo de venda é realizado dentro da plataforma, que aceita cartões de crédito, boleto e faturamento.

As grandes operadoras participam da plataforma. De que modo?

– Elas aderem em uma espécie de marketplace, adquirindo produtos e serviços oferecidos pelas empresas menores. Como temos integração com grandes fornecedores de turismo, como a Kayak, essa solução também é utilizada. Tenho desde clientes pequenos, organizadoras de passeios locais, a grandes grupos, como a Petrobras e a Globo, que usam a plataforma para comparar preços de passagens e estadias, por exemplo.

Plataforma mira o turismo 4.0

Entre os clientes da Moblix, cases de sucesso mostram que o caminho está no encontro com o chamado turista 4.0, que prefere comparar preços e serviços na internet. Após o cadastro na plataforma, a Ivoei, de São Paulo, aumentou seu faturamento em 40% em 2021, comparado a 2020. Já a mineira Open Milhas vendeu 1.566 passagens aéreas através da nossa plataforma em 2021, um ano considerado difícil para o setor.

A Num Click, nascida no segundo semestre de 2021, já conseguiu abrir uma loja física num shopping em Londrina para venda de pacotes turísticos e passagens, após o faturamento com vendas online pela nossa plataforma.

– Trata-se de um case que comprova o sucesso do nosso sistema omnichannel, permitindo o controle de vendas online e off-line na mesma plataforma – resume Gustavo Souza, que pretende investir na internacionalização da Moblix em 2022, com foco no mercado latino-americano.

RESULTADOS

– O faturamento da Moblix cresceu 249% de 2020 para 2021.

– A plataforma B2B hoje conta com 200 empresas assinantes de todo o Brasil.

– Clientes da plataforma aumentaram seu faturamento, mesmo em um ano difícil (2021) para o setor de turismo devido à pandemia, como a Ivoei, de São Paulo, que faturou 40% a mais, e a mineira Open Milhas, que vendeu 1.566 passagens aéreas por meio da ferramenta.