Por Cintia Salomão

Quando falamos em recursos humanos, a indústria do alumínio é lembrada como um setor tradicionalmente masculino. Em geral, os cargos de liderança nas empresas ligadas à metalurgia são preenchidos por profissionais homens. Mesmo que cursos como Engenharia Metalúrgica ou Engenharia Elétrica contem com a presença feminina cada vez mais numerosa, o talento das profissionais pode acabar transcurado por uma cultura extremamente arraigada na indústria da transformação dos metais.

DESAFIO

A escassa presença de líderes do sexo feminino nas indústrias não contribui para que as empresas atinjam posições satisfatórias em indicadores, que são referência no mundo corporativo brasileiro, como o MM360, do Instituto Ethos. Líder mundial em laminados e da indústria da reciclagem de alumínio, cujo processo permite que mais de 60% das latas de alumínio no país retornem como matéria-prima para produção de chapas para novas latas, a Novelis aceitou o desafio de não repetir o estereótipo de indústria chefiada somente por homens, onde as mulheres talentosas têm pouca chance de brilhar.

Em 2017, a Novelis criou o programa IguAL, especialmente voltado para a valorização das profissionais na América do Sul, por meio do qual promoveu cursos gratuitos de formação em ponte rolante e empilhadeira, em SP, em parceria com o Senai

A meta traçada pelos gestores, há mais de cinco anos, foi atingir 30% de representação de mulheres em cargos de liderança e 15% em função sênior nas áreas técnicas e de operações até o ano de 2024. De forma imediata, era preciso aumentar a quantidade de mulheres nas operações de fábrica e, também, em níveis iniciais, possibilitando que mais pessoas dessegênero estejam aptas para cargos mais altos.

Os gestores da Novelis relevaram à Case quais foram as estratégias usadas, tanto do ponto de vista nacional quanto internacional, já que a empresa possui uma presença de relevo global para atingir o equilíbrio de gênero entre seus líderes. Ao levarmos em consideração que seus milhares de colaboradores estão espalhados por diversos países em quatro continentes, com culturas, hábitos e religiões tão diversos, a missão era dobrada, pois as metas são globais.

SOLUÇÃO

O local de trabalho da empresa com papel de relevo na economia circular teria que ser decididamente mais incluso e diverso. Para tanto, era preciso estimular a conscientização sobre a importância da diversidade entre as próprias lideranças da empresa. A estratégia usada pelos gestores incluiu a realização de treinamentos especializados, cursos de capacitação, mentorias, campanhas de conscientização e ações que promovessem o incentivo da responsabilidade social nessas frentes, entre outras iniciativas.

Presente na América do Norte, América do Sul, Europa e Ásia, a Novelis estabeleceu programas de nível mundial e também de âmbito regional para atingir as metas da inclusão. Foi criado um conselho global de diversidade e inclusão, além de conselhos em cada uma de suas quatro regiões continentais.

Em nível global, a maior recicladora de alumínio do mundo lançou, em 2015, o programa WiN (Women in Novelis), com o objetivo de apoiar as contribuições profissionais e as carreiras de colaboradoras da empresa. A iniciativa acelera a promoção da diversidade no ambiente de trabalho através de um espaço criado especialmente para as mulheres compartilharem ideias e fazerem networking. O WiN também apoia o recrutamento e a retenção de talentos femininos em todos os níveis da organização.

Já em nível regional e para levar os objetivos especificamente aos estabelecimentos nos países da América do Sul, incluindo o Brasil, a Novelis implantou, em 2017,o programa IguAL. Para valorizar as competências e habilidades de cada profissional mulher, independentemente de raça, idade, religião e opção sexual, o programa realizou campanhas.

Uma delas foi o Capacitar, que ofereceu oportunidades de desenvolvimento e capacitação profissional a moradoras de Pindamonhangaba (SP) e arredores. Em parceria com o Senai local, no segundo semestre de 2020, foram realizados cursos gratuitos com formações em ponte rolante e empilhadeira exclusivos para mulheres. Trinta participantes receberam formação em um setor tradicionalmente dominado por homens. Os gestores consideram a experiência fundamental por ter possibilitado levar formação específica a um grupo que ansiava por isso, mas não encontrava oportunidade.

A empresa também acaba se beneficiando, pois prioriza essas candidatas para ocupar posições nessas áreas. Alguns trabalhadoresjá foram remanejados propositalmente para que dessem lugar a algumas dessas mulheres.Quanto às áreas comercial, de comunicação, finanças, jurídica e de RH, a meta do IguAL é alcançar 50% de contratação feminina para cargos de liderança até 2023.

Outra ação em nível internacional da empresa foi a assinatura, em 2017, dos 7 Princípios do Empoderamento Feminino com a ONU Mulheres, o que reforçou o comprometimento da organização em promover um ambiente inclusivo. Os princípios estabelecidos pela ONU consistem em: estabelecer liderança corporativa sensível à igualdade de gênero, no mais alto nível; tratar todas as mulheres e homens de forma justa no trabalho, respeitando e apoiando os direitos humanos e a não descriminação; garantir a saúde, segurança e bem-estar de todas as mulheres e homens que trabalham na empresa; promover educação, capacitação e desenvolvimento profissional para as mulheres; apoiar o empreendedorismo de mulheres e promover políticas de empoderamento das mulheres através das cadeias de suprimentos e marketing; promover a igualdade de gênero através de iniciativas voltadas à comunidade local e ao ativismo social; e medir, documentar e publicar os progressos da empresa na promoção da igualdade de gênero.

RESULTADOS

Atualmente, o quadro de executivos da Novelis que reporta diretamente à Presidência já apresenta equilíbrio entre os profissionais dos gêneros feminino e masculino. No total, cinco mulheres e quatro homens ocupam os cargos mais altos da empresa, abaixo somente de Francisco Pires, presidente da Novelis América do Sul.