Liv Up tem vencido seus desafios e a concorrência ao construir uma cadeia produtiva sustentável e com a parceria direta da agricultura familiar

Por Cintia Salomão

Os investimentos em foodtechs ultrapassaram o montante de US$ 1 bilhão no Brasil entre 2010 e 2021, atesta o Report Foodtech 2022, um estudo elaborado pela gestora de investimentos Outcast Ventures, em parceria com a plataforma de inovação Distrito.

Diversas empresas do ramo têm impulsionado a agenda ESG por trazerem ideias disruptivas para transformar o modo de produção dos alimentos, tornando-o mais sustentável e menos nocivo ao meio ambiente, com o uso de tecnologia inovadora.

A Liv Up é um exemplo de foodtech que mantém a agenda ESG em sua cadeia de produção. Com apenas seis anos de existência, conta atualmente com mais de 700 funcionários, uma área produtiva de 10 mil m², base produtiva orgânica e familiar e de 40 produtores parceiros, que fornecem mais de 100 toneladas de orgânicos à empresa todos os meses. A foodtech chegou a desenvolver mais de 12 softwares proprietários e algoritmos de roteirização com o objetivo de otimizar processos e minimizar impactos.

DESAFIOS

Conseguir se manter e inovar em um dos maiores setores da economia mundial, que é o mercado de alimentação é um dos maiores desafios da Liv Up, sendo, ao mesmo tempo, “um propósito que nos move, pois a empresa nasceu com o objetivo de construir um novo sistema alimentar mais eficiente, transparente e sustentável”, resume o gerente sênior de Inovação e Sustentabilidade da Liv Up, Pedro Martins.

O forte aumento na concorrência da digitalização do setor de alimentação e varejo, acelerado pelo contexto de pandemia, reforça esses desafios econômicos para a foodtech. O pós-consumo, com produção de resíduos sólidos, também exige o uso de fontes mais renováveis e com ciclos de vida mais alinhados às necessidades ambientais.

SOLUÇÃO

A saída para vencer esse desafio foi justamente integrar e unificar a cadeia de produção, encontrando maneiras de tornar os valores acessíveis e justos tanto para quem produz quanto para quem consome. Integrar uma operação altamente analógica e usar a tecnologia para dar escala a tudo isso é um desafio ao mesmo tempo econômico e ambiental também fizeram parte das estratégias. Ou seja, levar adiante a agenda ESG.

“É possível notar que as temáticas ESG fazem parte do nosso DNA. Somado a isso, vale reforçar um dos nossos principais valores corporativos, que é fazer a coisa certa do jeito certo. Então, mais do que promover as iniciativas ESG por meio das refeições, promovemos em todo o sistema produtivo, desde a produção dos alimentos, até o pós-consumo, com a cadeia de reciclagem e destino das embalagens”, resume Pedro Martins.

No âmbito do desenvolvimento de líderes do sexo feminino, mais de 50% dos cargos de lideranças estão ocupados por mulheres. A empresa conta com grupos identitários e um comitê de diversidade responsável por endereçar e estruturar o tema internamente com nossos colaboradores, revela Pedro.

Em relação à redução do desperdício de produtos alimentares — questão sensível da pauta da segurança alimentar e ambiental — a foodtech brasileira alcançou uma taxa máxima de 3% de desperdício em 2021, quando a média mundial gira em torno de 30%.

“Além disso, doamos cerca de 220 toneladas de alimentos saudáveis próprios para uso, seja in natura, seja na forma de refeições congeladas, o que beneficiou mais de 280 mil pessoas. Trabalhamos ainda com ONGs em busca de uma operação que também cuide do bem-estar animal, e 100% dos ovos comercializados são de galinhas criadas livres de gaiolas“ exemplifica.

As metas de redução na emissão de carbono também são contempladas pela Liv Up, conta o gerente. Em 2021, a foodtech deu início a parcerias para a compensação de carbono, e passou a compensartoda a emissão de carbono produzida nas entregas a partir do segundo semestre de 2021.

“Só para as atividades de delivery, compensamos o equivalente a 1.625 árvores preservadas. Outra parceria importante é com o Selo EuReciclo, através do qual compensamos 200% dos resíduos sólidos colocados no mercado pela empresa. A cada embalagem inserida no mercado, duas são retiradas de circulação.  O próprio trabalho com as famílias de agricultores parceiros, o qual chamamos de plantio dedicado, também é um grande pilar de práticas ESG”, conta, orgulhoso, o gerente sênior de Inovação e Sustentabilidade da Liv Up.

Quando a Liv Up decidiu conhecer melhor como trabalhar em parceria no campo, deparou-se com um sistema defasado e repleto de desafios, com uma cadeia 100% analógica e com falhas de integração. Frequentemente, muitos agricultores plantavam sem saber como e a quanto iriam vender os produtos e sem perspectiva de quando receberiam pela venda.

“O trabalho com as famílias de agricultores parceiros, o qual chamamos de plantio dedicado, é um grande pilar das nossas práticas ESG” Pedro Martins, gerente Sênior de Inovação e Sustentabilidade

“Desenvolvemos um formato de parceria inovador no mercado, que não apenas fomenta a agricultura familiar, mas que possibilita a inserção dos agricultores de maneira formal na economia, ao passo que também nos permite planejar conjuntamente, garantindo confiança na qualidade e na origem dos alimentos que entregamos na porta do consumidor”, descreve o gerente Pedro Martins.

De acordo com o programa do plantio dedicado, parte do plantio é destinado à Liv Up, que, conjuntamente com os agricultores, faz todo o planejamento de demanda com compra garantida e preço justo que beneficia tanto o agricultor como o consumidor, permitindo um adiantamento de pagamento que se torna uma espécie de crédito rural.

RESULTADOS

– A foodtech atingiu uma taxa de desperdício 3% em 2021, versus uma média mundial de 30%

– Foram doadas 220 toneladas de alimentos saudáveis próprios para uso, beneficiando mais de 280 mil pessoas

– A Liv Up conseguiu otimizar em 65% o custo da certificação de oito agricultores da base da empresa e conseguiu incrementar em 50% a renda média das 40 famílias parceiras

– O delivery obteve, a partir de parcerias firmadas no segundo semestre de 2021, compensações de carbono equivalentes a 46,9 voltas de carro ao redor da Terra, ou a 1.625 árvores preservadas

– Cerca de 200% dos resíduos sólidos colocados no mercado pela empresa foram compensados por meio da parceria com o Selo EuReciclo. Ou seja, a cada embalagem inserida no mercado, duas são retiradas de circulação