Com algoritmos próprios, agrotech proporciona ferramentas para que os pequenos agricultores atendam aos requisitos do crédito rural

Cintia Salomão

Somente nos oito meses da safra 2021/2022, 1.274 mil contratos de crédito rural foram fechados no Brasil, o que corresponde a R$ 188,4 bilhões. O setor de crédito do agro, fundamental para a economia brasileira, cresceu 30% naquele período.

Do total do agronegócio brasileiro, 25% é proveniente da agricultura familiar. Essa camada formada por pequenos empreendedores rurais, no entanto, tem mais dificuldade para atender a todos os critérios exigidos pelas empresas que concedem créditos. E aí que entra o papel da Agrotools, séria candidata a se tornar o primeiro unicórnio brasileiro do agro.

DESAFIO

A dificuldade maior para os produtores de menor porte não reside no acesso ao crédito propriamente dito, diz à Case o diretor de Produtos da Agrotools, Breno Felix, lembrando que existem muitas fintechs, fundos e bancos, tanto com recursos próprios quanto obrigatórios. Ele explica que o ponto desafiador consiste na dificuldade que muitos produtores têm para responder e ou atender a todos os critérios e questionamentos que as empresas exigem em uma análise de crédito.

“A tecnologia da Agrotools funciona como uma lente de aumento da realidade do campo, que permite que as companhias enxerguem melhor o produtor rural e suas terras. As empresas que financiam o agro estão na Faria Lima e, muitas vezes, por esta distância, ficam com uma visão distorcida do campo”, resume o executivo.

“As empresas que financiam o agro estão na Faria Lima e, muitas vezes, por esta distância, ficam com uma visão distorcida do campo. Nossa tecnologia funciona como uma lente de aumento, que permite que as companhias enxerguem melhor o produtor rural e suas terras”

Breno Felix, diretor de Produtos da Agrotools

A Agrotools conecta os territórios aos negócios, e faz com que as empresas percebam melhor os riscos e oportunidades lá do campo. Desta forma, é possível tomar decisões com maior agilidade, oferecer – ou declinar – um crédito com base em dados e fatos. Além disso, a análise de risco socioambiental é uma diretriz da instituição financeira para decidir se segue, ou não, com o negócio.

A eficiência permite uma economia de tempo. Há alguns anos, tal processo poderia levar muitas horas ou até dias. Hoje, com essa ferramenta, bastam alguns segundos em um clique. As garantias de pagamento do financiamento, em geral são matrículas (fazendas) e, para isso, é preciso fazer a valoração do imóvel rural.

O método tradicional consiste na ida de um avaliador até a fazenda, o que envolve custos e leva dias. Com a solução Valuation, a análise de valor da terra é feita de forma totalmente remota, o que permite reduzir de 5 a 8 vezes o custo.

“Portanto, o banco é capaz de fazer a análise de forma muito mais ágil e com baixo custo, e assim, tem condições de fazer mais análises e, portanto, mais negócios, e cada vez mais com produtores de menor porte também, logo, este é um produto que dinamiza e amplia o acesso ao crédito para um maior número de produtores”, relata Breno Felix.

Princípios ESG aproximam produtores e operadores de crédito

Com três frentes de negócios – ESG, Mercado Financeiro do Agro e Business Intelligence, a bigtech aproxima os players do agronegócio. As ferramentas possibilitam as práticas ESG de forma mais ampla. A solução Safe, por exemplo, verifica o compliance das operações de crédito e permite, inclusive, bloquear os negócios que não deveriam ser feitos, com produtores que utilizam práticas inadequadas. Por outro lado, permite viabilizar negócios com produtores que estão com o dever de casa em dia, que são a imensa maioria.

Essa solução cobre, principalmente, os quesitos (S) social e (E) ambiental dos princípios ESG. Já o (G) da governança é uma responsabilidade atribuída à companhia, e não ao produtor. Um exemplo está no fato de a empresa definir os procedimentos de compliance e manter controle ou conhecimento do destino dos recursos financeiros, de forma verificável e transparente.

Ferramenta GeoID funciona como passaporte para amplo sistema de análise

A principal ferramenta da agrotech está no modelo de cadastro de território, chamado Identidade Geográfica (GeoID), que compreende os diferentes aspectos fundiários, ambientais e produtivos relacionados a uma fazenda. O mecanismo funciona como um passaporte para que as empresas possam usar a tecnologia Agrotools no nível da fazenda.

Basicamente, após cadastrar uma fazenda (território) no “universo Agrotools”, o usuário tem acesso a uma ampla gama de ferramentas e análises, que permitem realizar análises climáticas, ver imagens de satélites, uso do solo, medir áreas, checar o relevo, ver se houve desmatamento, registro de subsolos e muitas outras análises importantes para uma eficaz concessão de crédito. Essa grande estrutura de dados e tecnologia permite correlacionar essas informações com o cadastro da fazenda, trazendo uma ampla percepção dos riscos e oportunidades.

Outras soluções, como a Valuation, analisam e avaliam o valor do imóvel rural de forma remota, rápida e com baixo custo. Já o aplicativo de campo, chamado Gix, permite fazer vistorias assistidas, padronizadas, com agilidade, funcionando offline, com um poder de coleta de fotos, caminhamentos, questionários e outros tipos de evidências de campo.

“Nosso modelo de negócio original foi direcionado para empresas de médio e grande porte. Porém, em 2021, lançamos dezenas de novos produtos, entre APIs e ferramentas de análises prontas para uso no marketplace At Market, para atender pequenas empresas”, esclarece o diretor de Produtos da empresa que hoje atende mais de 200 clientes no Brasil. Cerca de 15% das maiores empresas do país, como XP Investimentos, McDonalds, Nestlé, Itaú, Caramuru, BRF e Sicredi, utilizam ao menos uma de suas soluções.

RESULTADOS

– A Agritools já analisou 4,5 milhões de territórios rurais analisados na última década, o que equivale a mais de 200 milhões de hectares;

-A empresa monitora mais de R$ 100 bilhões em operações do setor;

– A agrotech realiza mais de 200 mil análises ESG diariamente, com mais de 45 critérios em análises socioambientais, usando algoritmos próprios.