Por Cintia Salomão

A pandemia desafiou a indústria farmacêutica de uma forma sem precedentes na história recente. Era preciso não apenas aumentar a produção de medicamentos para doenças correlatas à Covid-19 como também garantir o suprimento de remédios para outras enfermidades. A Novartis, laboratório presente em mais de 150 países, montou praticamente uma operação de guerra no Brasil para evitar sobrecargas em sua operação industrial e evitar apagões no abastecimento do mercado.

DESAFIO

Operar sem interrupções durante uma crise sanitária global, que trouxe consigo uma crise econômica, tornou-se o maior desafio da Novartis. A pressão sobre as cadeias logísticas globais foi inevitável, revela o diretor de Assuntos Corporativos da Novartis Brasil, Leandro Fonseca. Os pacientes não poderiam ter seus tratamentos interrompidos por falta de medicamentos, seja para Covid-19, seja para outras doenças.

“A pandemia impactou negativamente a demanda de algumas áreas. No início da crise, em especial, houve comprometimento das cadeias logísticas globais. No entanto, a Novartis adaptou rapidamente sua logística e operações para que nossos pacientes não fossem afetados com desabastecimento de medicamentos”, esclarece o diretor da Novartis Brasil.

Um exemplo global está relacionado aos medicamentos para hanseníase, enfermidade que afeta hoje mais de 200 mil pessoas. A Novartis mantém fábrica na Índia, país mais acometido pela doença, seguido pelo Brasil, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). A empresa contou com o comprometimento de colaboradores que demonstraram muita “empatia e compaixão com o sofrimento alheio”, cita Fonseca.

“Medicamentos para hanseníase são doados sem ônus à OMS. Na fábrica, que fica ao norte de Mumbai, a produção e a distribuição tornaram-se um desafio por conta do lockdown imposto no início da pandemia, que implicou o fechamento parcial de rotas aéreas e marítimas. Todavia, os trabalhadores lá permaneceram, de forma voluntária, literalmente morando na fábrica, para garantir que a produção dessas doações não fosse interrompida”, afirma o executivo.

“A pandemia foi algo muito inesperado e impactou a demanda de algumas áreas. No início, houve comprometimento das cadeias logísticas globais. Todavia, a Novartis adaptou rapidamente sua logística e operações para que nossos pacientes não fossem afetados com desabastecimento de medicamentos”

Leandro Fonseca, diretor de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade dos Sistemas de Saúde da Novartis Brasil

Outro desafio esteve relacionado à produção de imunizantes para a Covid-19. Afinal, a empresa não produzia vacinas há sete anos. As empresas farmacêuticas encontraram nas parcerias e nos acordos a solução para acelerar a produção da vacina — uma emergência sanitária global. Apesar de não fabricar imunizantes desde 2014, houve uma grande mobilização e união entre empresas da indústria farmacêutica, devido à pandemia, para acelerar a produção e fornecimento global da vacina.

“A Novartis assinou um acordo com a Pfizer-BioNTech disponibilizando a fábrica da Novartis na Suíça com vistas a apoiar a produção da vacina mRNA Covid-19, com entrega estimada para o início do terceiro trimestre de 2021, e assinou acordo com o laboratório alemão CureVac, para a produção de vacina de RNA mensageiro, cuja estimativa de produção é de 50 milhões de doses até o final deste ano e cerca de 200 milhões de doses em 2022”, detalha o diretor de Assuntos Corporativos da empresa, para quem tais iniciativas mostram que a colaboração entre empresas pode contribuir com a sociedade em um momento tão crítico.

No Brasil, a Novartis estabeleceu protocolos de segurança em suas fábricas desde os primeiros meses da pandemia a fim de evitar a paralisação da produção, o que geraria falhas no abastecimento e problemas graves para os pacientes.

“Atenta ao seu compromisso com a sociedade em promover acesso aos tratamentos e evitar o desabastecimento de medicamentos, a Novartis estabeleceu alguns protocolos de segurança dentro de suas fábricas desde o início da pandemia. Sem interrupção na produção e garantindo a segurança dos seus colaboradores, máscaras descartáveis foram distribuídas e o seu uso passou a ser obrigatório”, reitera o diretor da empresa no Brasil.

Naquele momento inicial da pandemia, durante o qual as pessoas ainda estavam um pouco perdidas, a empresa usou a comunicação interna para orientar suas equipes. As áreas de uso comum como o refeitório e a copa receberam material de comunicação visual, com informações sobre os cuidados com a higienização, os talheres embalados individualmente, a diminuição do número de cadeiras e de mesas, além de um maior espaço entre elas e da marcação de piso dentro do restaurante para manter a distância entre as pessoas.

Não poderiam faltar dispensers de álcool gel disponíveis na entrada e saída de cada um dos espaços, bem como lixeiras para o descarte de máscaras na saída das unidades. Além disso, espaços de convivência como sala de jogos e reunião continuam fechados.

O setor de logística foi envolvido nas estratégias para evitar qualquer tipo de desabastecimento, trabalhando em um plano de contingência com alternativas para garantir a entrega em todo território nacional, com o pagamento dos custos logísticos necessários.

“A força de campo também se adaptou rapidamente. De maneira remota e com a ajuda de projetos estratégicos de transformação digital, a empresa conseguiu manter o contato ativo com médicos e redes atacadistas e farmácias por todo o Brasil”, completa Fonseca.

RESULTADOS

– A pandemia não impactou de maneira negativa o desempenho da Novartis no mercado brasileiro

– A Novartis Brasil manteve o emprego de 2,3 mil colaboradores na pandemia

– A empresa promoveu campanha de vacinação, saúde física e mental aos seus colaboradores, com ações estendidas a familiares, beneficiando mais de 4 mil pessoas

– A expectativa para 2021 é de crescimento de 2 dígitos percentuais na comparação com 2020

– A Novartis tem como meta dobrar o número de pacientes atendidos em cinco anos

– A empresa doou cerca de R$ 5 milhões a organizações não governamentais para os cuidados e atenção aos mais necessitados

– A Novartis disponibilizou 100 mil máscaras e 50 mil luvas a profissionais da linha de frente de atuação na crise