Startup brasileira cria “Tinder do emprego” e agiliza processos de seleção de jovens sem experiência para empresas de médio e grande portes

Por Cintia Salomão Castro

Imagine dar “match” com a vaga dos seus sonhos, e com percentual de afinidade baseado em modelos matemáticos? Isso já é possível, sim, no mundo dos processos digitais de seleção de pessoal. A startup Taqe, especializada em gamificação aplicada aos Recursos Humanos, tem ajudado as empresas brasileiras de grande e médio portes a reduzirem em mais de 200% o tempo dedicado aos processos de recrutamento.

“As empresas não conseguem fazer uma boa triagem de tantos candidatos que ainda não têm muitas qualificações nem experiências. É nesse ponto que entra a gamificação, formato muito apreciado pelos jovens”.

Renato Dias, CEO da Taqe

A HR Tech, nascida em 2017, desenvolveu, com tecnologia 100% nacional, seu próprio software de gamificação, por meio do qual os candidatos efetuam os testes. Tudo é realizado por meio da plataforma na qual seus clientes inserem anúncios de vagas, com critérios detalhados e os pesos correspondentes para cada critério. A ferramenta se encaixa perfeitamente com candidatos mais jovens, com pouca experiência no mercado de trabalho e uma formação ainda inicial.

Quando uma empresa anuncia uma vaga de entrada, ou seja, voltada para um cargo operacional e de base, que não exige muito experiência ou qualificação, recebe uma montanha de currículos parecidos de quem está em busca de suas primeiras oportunidades profissionais.

O CEO da Taqe, Renato Dias, confirma que filtrar candidaturas tão genéricas e parecidas está entre os grandes desafios dos Recursos Humanos do mundo corporativo.

“Naturalmente, essas pessoas ainda não têm muitas qualificações nem experiências para inserir no currículo. As empresas não conseguem fazer uma boa triagem de tantos candidatos, por não conseguirem diferenciá-los somente com base na formação, que muitas vezes é genérica”, explica.

SOLUÇÃO

A estratégia proporcionada pela gamificação nos processos de seleção está na identidade que a ferramenta consegue criar para tantos perfis genéricos. Por isso, a plataforma da Taqe é especializada em cargos de entrada e operacionais, já que é possível realizar uma triagem a partir de currículos somente quando a experiência e a qualificação realmente contam.

“Nossa solução oferece uma identidade profissional para tais candidatos, com o perfil comportamental, as habilidades, a geolocalização, diversidade e os traços de personalidade, usando como base metodológica as teorias de Jung; competências como foco em resultados e iniciativas, organização, relacionamentos; raciocínio lógico; conhecimentos gerais e português. Temos também redação, que não é gamificada”, detalha o CEO da HR Tech, selecionada pelo Facebook, em 2017, entre nove startups para a aceleração na Estação Hack.

E como é realizado esse “match” profissional?

O candidato realiza os testes gamificados e insere seus dados. O nosso algoritmo detecta, então, o “match”, verificando a correspondência entre os candidatos e os requisitos da vaga. O algoritmo também elimina as pessoas que não atendem aos requisitos mínimos e ordena todas as demais candidaturas em um ranking.

O resultado é que a empresa não precisa mais olhar currículo a currículo e obtém uma triagem automatizada, ganhando tempo, em primeiro lugar, e qualidade, pois sabe que aquelas pessoas têm mais aderência não somente aos critérios, como também ao peso dos critérios. A gamificação se traduz em um ganho de eficiência nos processos seletivos a partir da redução de quantidade de entrevistas e dinâmicas de grupo, processos usados tradicionalmente pelas empregadoras para traçar perfis.

Operadores de call center, funcionários de hospitais e laboratórios, empregados do varejo, jovens aprendizes, estagiários e trainees estão entre as vagas preenchidas com mais frequência com a ajuda da gamificação. Natura, Santander, Grupo Fleury e CIEE estão entre os clientes da startup premiada pelo programa Santander X em 2020 e integrante do Inovabra, o sistema de inovação do Bradesco.

“Agora está crescendo muito o setor de tecnologia. Temos ainda outras vagas recorrentes na indústria e na logística, como auxiliar de fábrica, auxiliar de logística, almoxarifado e motoristas”, revela o empresário.

Ao final do processo, o candidato tem acesso ao seu perfil e de suas aptidões profissionais. Entre os mais jovens, a gamificação traz outra vantagem para a empresa: gera mais engajamento e fortalece sua imagem. Afinal, nada mais desestimulante para um jovem da geração Z do que uma série de “formulários chatos” para tentar a primeira vaga.

Mesmo que não tenha sido selecionado na primeira triagem para a vaga, o candidato permanece na base de dados da plataforma − à espera do “match” perfeito.

RESULTADOS

− O hospital Albert Einstein, reduziu o tempo de seleção de 21 dias para oito dias em 153 contratações.

− A Call Link, empresa de Uberlândia (MG), reduziu de 30 dias para oito dias o tempo seleção em 246 contratações.

− Os selecionados pela triagem realizada por meio da gamificação alcançam, em média, 80% de contratação, contra a média de 20%, quando não há essa primeira triagem.

− A gamificação permitiu a contratação de 13 mil pessoas em 2021.

− A plataforma possui um banco de dados com 1 milhão e 800 mil candidatos.