Por Cintia Salomão

Nascida em 2007 no Triângulo Mineiro como uma startup de distribuição de games para operadores de telefonia na América Latina, a Sambatech mudou o foco alguns anos depois. O modelo de divisão de receitas na época dos games começou a se tornar inadequado. Os gestores enxergaram, então, o setor de vídeos como uma grande janela de oportunidade. As empresas de mídia precisavam de plataformas próprias, que ingressassem em seus sites – e foi o que a Sambatech passou a oferecer. A empresa se tornou, então, voltada exclusivamente para as atividades de venda, distribuição, gerenciamento e armazenamento de vídeos.

Após conquistar grandes clientes, como Globo, SBT, Band, o Grupo Abril e a Azul Linhas Áreas, a startup recebeu de um fundo de investimentos o montante de R$ 5 milhões. Entre as ferramentas oferecidas, a plataforma de streaming Samba Vídeos reúne hospedagem, proteção aos vídeos e recursos adicionais, como relatórios de audiência. Já a Samba Class funciona como uma sala de aula ou de palestra online, que promove a interação entre professores ou palestrantes e alunos ou funcionários.

DESAFIO

Quando surgiu a Covid-19 no mundo, a empresa já estava posicionada no mercado como uma editech. O grande desafio a partir da pandemia foi suprir a explosão das demandas, que se tornaram, em pouco tempo, mais amplas e volumosas. Isso é explicado pelo fato de que a educação foi um dos segmentos que mais sofreram as consequências do isolamento social.

“Muitas companhias acreditam que basta implementar tecnologia simples que o seu problema irá se resolver. Porém, é preciso que haja uma mudança cultural, uma adaptação do modelo de negócios e a entrega de produtos  customizados. Por isso, a Samba Digital tem um papel muito importante”

Pedro Filizzola, Chief Marketing Officer (CMO) da Sambatech

O setor educacional precisava criar alternativas online para um cenário que ainda era predominantemente offline, e tal necessidade foi sentida diretamente pela Sambatech. O Ensino à Distância (EAD) deixava de ser exceção.

“Aprender pela internet se tornou uma premissa, e todo mundo, alunos, professores e instituições de ensino, precisou se adaptar ao EAD e às aulas ao vivo. O mercado de EAD já vinha crescendo de forma bem agressiva, e a adoção dessa prática foi potencializada com o isolamento e com a flexibilização do MEC de autorizar, em caráter excepcional, a substituição de aulas presenciais por aulas do modelo educação à distância utilizando a tecnologia”, explicou à CASE Pedro Filizzola, Chief Marketing Officer (CMO) da Sambatech.

Graças às plataformas digitais, os alunos e funcionários conseguiram ter acesso ao conhecimento, enquanto as instituições de ensino e empresas deram continuidade ao compromisso do aprendizado durante a pandemia. Por isso, a missão da empresa era grande.

SOLUÇÃO

Para atender à demanda crescente, a Sambatech precisou, de fato, criar uma nova unidade de negócios. Surgiu, então, a Samba Digital, focada no conceito de transformação digital. A ferramenta de tecnologia personalizada entrega soluções customizadas para os clientes em até duas semanas, e uma solução de videoconferência passou a ser oferecida aos clientes para que ganhem em agilidade e se diferenciem da concorrência em um mercado que muda cada vez mais rápido.

“Por meio de metodologia própria e tecnologia personalizada, a Samba Digital tem como objetivo proporcionar mais agilidade e gerar resultados qualificados para seus clientes. A partir de agora, a nova área promoverá mudanças culturais dentro das corporações, adaptará o modelo de negócios e entregará produtos customizados ao cuidar de ponta a ponta das necessidades do cliente, indo desde a identificação do problema até a implementação das tecnologias desenvolvidas, como software e aplicativos”, detalhou o CMO da empresa.

O surgimento da Covid-19 fez com que muitas empresas, que antes não utilizavam tanto a tecnologia, se vissem obrigadas a passar por um processo de digitalização e adotar o conceito de transformação digital para continuar operando. Porém, devido à falta de conhecimento, muitas não souberam por onde começar, já que realmente não é tão simples assim.

“Muitas companhias acreditam que basta implementar tecnologia simples que o seu problema irá se resolver. Porém, é preciso que haja uma mudança cultural, uma adaptação do modelo de negócios e a entrega de produtos/sistemas customizados. Por isso, a Samba Digital tem um papel muito importante”, completa Pedro Filizzola.

Dentro desse processo que acelerou o uso da tecnologia durante o isolamento social, a empresa lançou uma ferramenta nova de videoconferência justamente para suprir uma necessidade de aulas ao vivo dos clientes.

Doação ao ensino público aumentou a visibilidade da plataforma

Com a educação desafiada pela necessidade de digitalizar o ensino, a Sambatech decidiu, então, doar a plataforma para instituições de ensino públicas e órgãos do governo, além de ter trabalhado com modelos de negócio diferenciados para as instituições particulares. Uma parceria com a Secretaria do Estado de Minas Gerais foi fechada.

“A partir de tais parcerias, tivemos um aumento na procura por nossas soluções de EAD e agimos rápido para atender as necessidades do mercado com proximidade e tecnologia. Criamos uma força tarefa para estarmos mais próximos dos nossos clientes, para se ter velocidade nas respostas dos usuários que chegavam ao nosso site, acelerando o desenvolvimento de novas soluções e produtos”, completa o executivo da Sambatech, Pedro Filizzola.

Internamente, a migração do trabalho presencial para o remoto também representou um desafio para a sua própria editech. Uma das soluções adotadas foi o uso das próprias ferramentas de EAD pelos funcionários, o que facilitou o treinamento e a proximidade entre as equipes.

RESULTADOS

− As vendas da Sambatech cresceram quase 200% no período de pandemia (março-setembro) em 2020 em relação ao mesmo período de 2019;

− As vendas cresceram 120% em 2020;

− O ano de 2020 foi fechado com mais de 350 clientes;

− O número de usuários ativos da plataforma (entre alunos e funcionários) atingiu a média de 15 milhões por mês em 2020;

− A doação de tecnologia durante a pandemia para órgãos do governo e empresas públicas, em parceria com a Secretaria do Estado de Minas Gerais, levou conhecimento através da internet para 1,7 milhão de alunos da rede pública.