Por Cintia Salomão

Uma das líderes em TV por assinatura via satélite do Brasil, a Sky conquistou 4,5 milhões de clientes desde 1996, ano em que entrou em operação. A programação 100% digital é consumida por cerca de 30% de todos os assinantes de TV paga no Brasil. Integra o grupo de entretenimento VrioCorp., por sua vez, controlado pela AT&T LatinAmerica.

Os cerca de 1.500 funcionários estão espalhados por diferentes escritórios e cidades. O conglomerado conta com a colaboração decisiva de mais 25 mil pessoas e cinco mil credenciados distribuídos por todas as regiões do país, que apoiam as operações comerciais e de atendimento. Manter todo esse universo de funcionários e colaboradores identificados com a marca e engajados pelas metas organizacionais representa um desafio constante para os gestores de recursos humanos.

DESAFIO

No início de 2019, a Sky percebeu que precisava focar os investimentos em um fator determinante para o sucesso e a evolução da empresa: as pessoas. Após realizarem uma “escuta ativa”, com 1.500 colaboradores, usando pesquisas e ferramentas de feedback interno, os gestores se viram diante de um desafio.

“Queríamos a derrubada de muros entre líderes e liderados, para que todos pudessem se sentir genuinamente parte essencial da companhia. Hoje é um orgulho ver que as pessoas são uma das metas de negócio da empresa”

Simone Oechsler, diretora de Recursos Humanos da Sky

Era preciso construir um ambiente mais colaborativo, inovador, inclusivo e menos hierárquico, que “atendesse às necessidades e objetivos de cada um dos funcionários”, nas palavras da diretora de Recursos Humanos, Simone Oechsler, que revelou à Case como a companhia conseguiu unir e engajar um time tão numeroso.

SOLUÇÃO

Para vencer o desafio, a Sky decidiu realizar uma verdadeira “transformação cultural”, durante o qual a questão da hierarquização foi trabalhada de forma intensa. Era preciso demolir o alto muro que existia entre líderes e liderados.

“Um dos principais obstáculos que tínhamos era a hierarquização dos processos. Queríamos ver, na prática, a derrubada de muros entre líderes e liderados, para que todos pudessem se sentir genuinamente parte essencial da companhia. E hoje, depois de mais de dois anos do início da nossa mudança cultural, é um orgulho ver que as pessoas são uma das metas de negócio da empresa”, destaca Simone Oechsler.

A estratégia usada pela empresa que atende mais de quatro milhões de clientes foi a chamada “candura radical”. Trata-se de um novo conceito que vem sendo usado por gestores de Recursos Humanos em várias partes do mundo, e que envolve a prática constante de feedback, além do relacionamento genuíno entre os colaboradores da empresa.

“A candura radical consiste em se importar genuinamente com as pessoas (candura) e dar feedbacks capazes de promover o crescimento e a aprendizagem (radical). Para implementar o modelo, começamos a ter uma comunicação mais fluida, com o reforço da importância dessa atitude no dia a dia, e incentivamos a maior proximidade entre os líderes e suas equipes”, resume a diretora de RH.

Mas, na prática, o que significa adotar a candura radical, em uma empresa com 1.500 funcionários e 25 mil colaboradores que apoiam as operações comerciais e de atendimento em todo o país? Significa realizar treinamentos específicos sobre candura radical e implementar programas de reconhecimento, explica Simone. A estratégia envolveu a criação dos “embaixadores das Atitudes Sky”, espécies de mentores eleitos por votação popular realizada na rede social corporativa.

O papel dos embaixadores das Atitudes Sky envolve a mediação de conversas com grupos de pessoas interessadas no tema e sessões de feedbacks provocadas por líderes, com colaboradores que atuam dois níveis abaixo, estimulando que a candura radical seja uma prática realizada por todos os funcionários.

Outras práticas são a adoção do modelo de feedback chamado Conversation Week, com conversas realizadas em quatro diferentes momentos do ano, entre o líder direto e o colaborador; o uso de uma ferramenta online, chamada Anytime Feedback, para que todos possam dar e coletar feedbacks de colaboradores de diferentes áreas e níveis, impulsionando um ambiente mais colaborativo.

Não poderiam faltar programas estimulantes de reconhecimento.

“Por meio da iniciativa SKY 100 Limites, é possível indicar qualquer pessoa que represente as Atitudes Sky, para ser formalmente reconhecida pelo seu desempenho por seu líder direto e pelo próprio presidente da companhia”, explica à Case a executiva da Sky.

Além da candura radical, a empresa trabalha com cinco atitudes fundamentais para o seu novo modelo cultural: accountability, senso de urgência, colaboração, inovação e inclusão.

“É um trabalho contínuo, que queremos ir aprimorando de acordo com o surgimento de novas necessidades”, completa Simone Oechsler.

Desafios internos não faltaram nesse trabalho de transformação cultural da Sky, como o engajamento dos funcionários e líderes na mudança do mindset. Depois, com o surgimento da pandemia, veio o novo desafio de adaptar a candura radical ao home office. A rede social interna foi de grande valia para manter a interação das equipes em modalidade remota.

“Fomos uma das primeiras companhias a adotar o home office, no dia 16 de março de 2020, e, desde então, nossa maior prioridade é manter todos os nossos colaboradores seguros. Atualmente, 90% do nosso quadro de funcionários permanece trabalhando de forma remota”

Transformação cultural foi decisiva para manter engajamento dos funcionários em home office

Boa parte dos processos da transformação cultural da Sky já estava consolida em março de 2020, quando estourou a pandemia da Covid-19. Foi exatamente quando a candura radical revelou-se mais importante do que nunca. O home office passou a ser adotado em larga escala, sem prejuízo para o engajamento das equipes.

“As primeiras etapas da transformação cultural da Sky aconteceram em 2019. No começo da pandemia, já havíamos consolidado alguns processos para engajar os funcionários no novo mindset da companhia, mas percebemos que, mais do que nunca, o nosso principal investimento eram as pessoas. Fomos uma das primeiras companhias a adotar o home office, no dia 16 de março de 2020, e, desde então, nossa maior prioridade é manter todos os nossos colaboradores seguros. Atualmente, 90% do nosso quadro de funcionários permanece trabalhando de forma remota”, revela.

A rede social interna da companhia foi essencial para manter os colaboradores atualizados, principalmente em um momento com tantas incertezas. Os gestores consideram o engajamento gerado pela plataforma como muito positivo, ajudando na inovação das formas de comunicação e proximidade dos líderes com os colaboradores.

A empresa realiza eventos virtuais, como o Live Point, com a participação do presidente da Sky, Raphael Denadai. Já o SkyDay, outro evento online, ocorre duas vezes por ano. O Celebration Day formaliza o reconhecimento de colaboradores premiados no programa “Você Também é 100 Limites”. Mais de 100 colaboradores de todo o Brasil , com a presença de seus familiares, foram prestigiados por seus respectivos líderes e pelo próprio presidente da Sky.

“Essas oportunidades conectam, de forma remota, os funcionários e o presidente da Sky, em uma interação leve, informativa e divertida, também com o objetivo de manter todos atualizados com as metas e objetivos da companhia e tirar eventuais dúvidas”, conclui a diretora de RH da Sky, Simone Oechsler.

RESULTADOS

– A partir da adoção do modelo de candura radical, a Sky avançou nas posições no ranking do Great Place to Work, um dos selos mais importantes do mundo sobre ambiente e transparência empresarial. Em apenas um ano, em 2020, subiu 55 posições em relação a 2019 e chegou à 23ª colocação, com a nota subindo de 77 (em 2018) para 91.

– As mulheres conquistaram mais posições de liderança desde a implantação do novo modelo de gestão. Atualmente, 41% das funcionárias ocupam posições de liderança. Além disso, 26% dos colaboradores são pretos, pardos ou amarelos, 3% de deficientes ou com alguma dificuldade, e 9% têm acima de 50 anos de idade.