Por Cintia Salomão

Líder em medicina diagnóstica no Brasil e na América Latina, o Grupo Dasa é o quinto maior do setor no mundo, com foco em análises clínicas, diagnóstico por imagem e medicina genômica. Com um time de mais de 27 mil colaboradores e 2,4 mil médicos no Brasil e no exterior, presta serviços por meio de 40 redes de laboratórios distribuídas em 1.088 unidades, das quais 911são unidades de rua e 177, em hospitais – como Salomão Zoppi (SP) e Sérgio Franco (RJ).

Dentro do seu amplo espectro de exames diagnósticos, com um total de 270 milhões de exames por ano, a empresa brasileira incluiu em 2020 a realização do teste para detectar a Covid-19. Para atender à explosão dessa demanda, a empresa reafirmou o investimento em inteligência artificial (IA) e nas parcerias com healthtechs inovadoras.

DESAFIO

O cenário da pandemia da Covid-19 desafiou de maneira particular o setor da saúde. A líder em medicina diagnóstica no Brasil se viu impactada pela pressão junto à cadeia de suprimentos e logística, além de ter de se preparar para atender à demanda por testes para detectar o coronavírus nos pacientes. Era preciso focar em tecnologia no padrão de diagnósticos e organizar-se internamente para responder bem às necessidades urgentes na saúde.

SOLUÇÃO

A metodologia padrão-ouro de diagnóstico da Covid-19 foi adotada pelas 40 redes de laboratórios da Dasa a fim de atender à demanda urgente e crescente por testes a partir de março de 2020. A escolha permitiu que fossem realizados milhões de testes na rede.

O investimento em tecnologia diagnóstica, foi uma escolha de anos da Dasa que se revelou cada vez mais assertiva. Uma das estratégias usadas para gerar agilidade nos testes foi o desenvolvimento de versões mais simples de produtos já existentes – a chamada MVP (Minimum Viable Product), ou Produto Viável Mínimo, na tradução para o português, trata-se de um conceito recorrente no empreendedorismo das startups, adotada pela Dasa.

“Entendemos que o processo de inovação deve ser matricial e feito por meio de líderes empoderados, que atuem com autonomia responsável e foco nas necessidades de nossos clientes. Trabalhamos esse tema com uma visão de longo prazo, mas que nos permita ter entregas de curto prazo por meio de MVP’s. Ou seja, testamos e desenvolvemos as versões mais simples de um produto a fim de oferecer com agilidade uma melhor experiência para os nossos clientes, sejam eles médicos ou pacientes”, esclarece o gerente de Inovação Aberta da Dasa, Thiago Julio.

O volume de dados gerados pelos exames realizados nas 1.088 unidades laboratoriais deve ser tratado por meio de ferramentas avançadas. A Dasa tem investido pesado justamente na adoção de tais ferramentas, de olho no conceito de prevenção em saúde.

“Conectamos startups com o time de inteligência artificial da Dasa, e isso impulsionou aprendizados e troca de conteúdos e algoritmos. Nosso time dedicado à IA validou algoritmos e integrou dados para otimizar o dia a dia dos médicos e oferecer medicina de precisão aos pacientes”

Thiago Julio, gerente de Inovação Aberta da Dasa

“Há anos investimos em dados e analytics. Se soubermos usar esses recursos, para que as pessoas valorizem mais os cuidados preventivos, em detrimento de uma visão de doenças, será um ganho para todos. Temos a oportunidade de cuidar das pessoas, que estarão mais conscientes e abertas a um novo olhar para a saúde. Algo que permanecerá sempre na companhia e, acreditamos, no mundo, é o conceito home-first”, diz Thiago Julio.

Algumas facilidades tornadas realidade graças aos meios digitais, como o agendamento virtual de testes, já estavam presentes. Durante a pandemia, a empresa, de qualquer forma, teve de se mobilizar em dobro para criar novas formas de atendimento em casa, como a realização de ultrassonografia na residência das gestantes.

“Já tínhamos conveniências tecnológicas para nossos pacientes, como o Agendamento Digital de exames, com redução significativa do tempo de espera do paciente na unidade, e o Atendimento Domiciliar. O que ocorreu na crise foi que nos mobilizamos para criar novas formas de atender às pessoas que precisam de cuidados com saúde em suas casas e, assim, fortalecemos nossas equipes de coleta de exames de análises clínicas em domicílio, além de disponibilizar exames de imagens, como ultrassom obstétrico na casa das gestantes. Acreditamos que isso deva continuar”, explica o gerente Thiago Julio à Case.

Parcerias com healthtechs potencializam iniciativas de inovação aberta

As parcerias com as healthtechs fazem parte do espectro de Inovação Aberta da empresa, que mantém uma parceria específica com o ecossistema Cubo, uma iniciativa do Itaú voltada para a geração de ideias inovadoras na América Latina. A Dasa mantém, no Cubo, um andar para abrigar healthtechs− o CuboHealth  − e desenvolver iniciativas de fomento, capacitação, mentoria e conexão com a companhia e todo o mercado de saúde. Já são parcerias com 33 startups no portfólio, sendo 24 ativas.

“A parceria tem como objetivo aumentar e qualificar o radar de novas startups, soluções e empreendedores para que o time conheça e encontre as melhores práticas de relacionamento com o ecossistema. São muitas oportunidades, desde a disseminação de cultura de inovação interna, com conteúdos de inovação aberta e empreendedorismo com diferentes áreas da empresa, como o jurídico, o marketing e produtos, entre outros, incorporando inovação com ganho de eficiência, inteligência de mercado, com radar de tendências de oportunidades de negócios”, enumera Thiago Julio.

O grande propósito da área de Inovação Aberta é criar conexões que salvam vidas, ressalta o gerente da Dasa.

Dentro do ecossistema de healthtech, inclusive, uma das parcerias já ajuda em relação ao valor agregado do produto entregue ao cliente. O marketplace NeoMed, que integra clínicas, laboratórios e hospitais, se juntou à Dasa para otimizar e acelerar o tempo do laudo médico em exames de cardiologia.

A inteligência artificial também foi decisiva para oferecer exames que detectam a Covid-19 nos clientes. A pandemia chegou no momento em que projetos ligados à inteligência artificial já completavam quatro anos. Há um time da Dasa especialmente dedicado à IA.

“Conectamos algumas startups com o time de inteligência artificial da Dasa e isso impulsionou aprendizados e troca de conteúdos e algoritmos. O time da Dasa dedicado à IA criou modelos, validou algoritmos e integrou dados na prática para otimizar o dia a dia dos médicos e oferecer medicina de precisão a seus pacientes. De acordo com critérios científicos e com uma plataforma robusta, com repositório de dados de alta capacidade, arquitetura e governança, os dados são analisados por especialistas em machine learning e inteligência artificial”, detalha o executivo da Dasa.

O resultado é que empresa já tem 10 projetos de AI em funcionamento, além de 16 em andamento. Os desenvolvedores evoluíram da área da radiologia para a patologia e já têm pretensões de, em breve, debruçar-se também na genômica.

Um exemplo concreto em IA é uma solução colaborativa e gratuita que permite que médicos do mundo todo façam o upload de exames de tomografia computadorizada de tórax para serem avaliados pelo algoritmo de inteligência artificial, que quantifica o acometimento do pulmão pela Covid-19. O resultado quantitativo é enviado para o e-mail do médico, em até cinco minutos, e a iniciativa deixa o diagnóstico ainda mais assertivo.

O site pode ser acessado por qualquer médico, em qualquer local do mundo. O profissional só precisa informar CPF, CRM, e-mail e fazer o upload das imagens de TC de tórax que quer que sejam avaliadas pelo algoritmo. As imagens não apresentam a identificação do paciente ou de qualquer informação clínica.

Com tantos laboratórios e exames realizados em todas as regiões do Brasil, a Dasa protege os dados dos pacientes por meio de uma estrutura de dados robusta.

“Temos uma estrutura de dados unificada e com uma política robusta de governança em conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), o que nos gera insights para aperfeiçoar a experiência de nossos clientes. Nosso foco é levar a proposta de valor de nossos serviços para as mais diversas regiões do Brasil, respeitando e preservando sempre suas regionalidades e particularidades”, afirma o gerente Thiago Julio.

RESULTADOS

– O Grupo Dasa obteve um incremento do NPS de mais de 20 pontos percentuais.

– Já foram realizados mais de 6,3 milhões de testes para detectar a Covid-19.

-Foi criada, durante a pandemia, a plataforma Dasa.Educa, que oferece conteúdo gratuito com atualização para profissionais de saúde.

– 33 startups do portfólio CuboHealth são apoiadas diariamente pela Dasa.