Startup que virou unicórnio aumenta segurança das transações com ferramenta de reconhecimento facial

Cintia Salomão

A pandemia gerou um notório salto no e-commerce e nas operações financeiras digitais. Porém, provocou um efeito colateral nefasto: junto veio a criminalidade, como sempre, engendrando novos métodos para burlar sistemas. Somente em 2020, o volume de fraudes em operações online cresceu 276%.

DESAFIO

Em 2014, o Brasil contava com uma baixa taxa de bancarização. As grandes redes de varejo representavam uma das poucas possibilidades de compras de eletrodomésticos a prazo graças ao crediário próprio, para quem não contava com cartão de crédito. Tais empresas já sofriam com um número considerável de fraudes. O método clássico do fraudador consistia em usar documentação alheia. Milhões de reais eram perdidos todos os anos pelas redes varejistas.

 

“Nossos primeiros clientes foram do varejo, que eram as vítimas preferidas dos fraudadores. Eles não contavam com nenhum mecanismo para comprovar que aquela pessoa era a verdadeira. Acabamos fazendo uma revolução”,

 Matheus Lambertucci, gerente de produto da Unico

Matheus Lambertucci, Gerente de Produto

 

SOLUÇÃO

Naquele ano de 2014, a startup Unico lançou seu software de tecnologia 100% nacional voltado para a biometria facial. O primeiro alvo foram as grandes redes do varejo, não por acaso.

“Nossos primeiros clientes foram do varejo, que ainda representa um segmento importante, tanto em receita quanto em volume de transações. Esse setor era a vítima preferida dos fraudadores. Eles não contavam com nenhum mecanismo para comprovar que aquela pessoa era verdadeira. Acabamos fazendo uma revolução”, relembra o gerente de produto da Unico, Matheus Lambertucci.

A startup, que nasceu como empresa de gestão eletrônica de documento, hoje conta com mais de 400 clientes, pertencentes a mais de 10 segmentos. O faturamento em 2020 ficou em R$ 150 milhões – o que representa o dobro obtido em 2019. Em meados de 2021, entrou para o seleto clube dos unicórnios brasileiros ao ultrapassar US$ 1 bilhão em valor de mercado. E-commerce, wallets e cartões de crédito não ficam de fora da carteira da Unico. Os maiores bancos do país também estão entre eles, inclusive os bancos digitais. Quem abre uma conta em um banco digital e posa para o reconhecimento facial, provavelmente, está sendo autenticado pelo vasto banco de dados da Unico.

O gerente de produto da Unico explica de que forma os fraudadores são identificados:

“A verdadeira ‘Maria’ abre um crediário nas Pernambucanas. Apresenta seus documentos, posa para a foto de rosto e fornece seus pontos biométricos, que são únicos. Tudo é armazenado em nosso banco de dados. ‘Maria’ abre outro crédito na Magalu para comprar uma geladeira, com os mesmos dados. Então, começamos a calcular um score de repetição da identidade da ‘Maria’. Ela é realmente quem diz ser. Até que, do nada, chega à Unico uma foto do Mateus, ao C6 Bank, com os dados da ‘Maria’. Notamos que os pontos não batem. O pedido dele, então, é barrado pela Unico. Mateus pode surgir novamente com dezenas de CPFs, e entra em uma lista de fraudadores”, detalha.

Fraudadores também se reinventaram na pandemia

O gerente da startup define a fraude como um organismo vivo que se adapta a qualquer ambiente e que é preciso desenvolver respostas adequadas a ela.

“Antes, havia fraude de assinatura física e falsificação de documentos. Ao longo dos anos, com a digitalização da economia, essa fraude acabou indo para um caminho, também, mais digital. Isso porque o comportamento do fraudador continua existindo. Então, precisamos nos reinventar na forma como lidamos com essa mudança de comportamento”, pontua.

RESULTADOS

No primeiro semestre de 2021, a Unico identificou e impediu mais de 800 mil tentativas de fraudes entre seus clientes graças ao reconhecimento facial. Em volume financeiro, as empresas clientes da startup evitaram um prejuízo de 22 bilhões de reais no período.